sábado, 17 de outubro de 2020

Protestos no Kirghiz 2020

 


  Em 4 de outubro de 2020 houveram as eleições para o parlamento do Kirghiz (Quirquistão), o "Conselho Supremo". Nestas eleições, o "Partido Social Democrata do Kirghiz", ou Социал-демократическая партия Кыргызстана - СДРК, em russo (demonstrando o viés do partido em ser pró-Rússia) estava dividido sobre a liderança do partido, entre Sooronbay Jeenbekov, até então presidente do Kirghiz, e Almozbek Atambayev, que havia sido presidente anteriormente mas foi preso em um ataque relâmpago da polícia em sua casa. Por essa razão, o partido não participou das eleições, confiando em outro partido do governo para tomar o seu lugar, "Unidade" ou Биримдик. O СДРК, que faz parte da Internacional Socialista, sendo o governo então, organizou as eleições e dois dias depois, no dia 6 de outubro, as eleições foram denunciadas pela oposição. A Oposição é formada pelos partidos mais radicais de extrema-esquerda, Zamandesh e o Ata-Meken, sendo esse último que perdeu todos os assentos. Outro Partido que perdeu todos os assentos foi Bir Bol (Бир Бол), um partido pró-Rússia, assim como os outros últimos ditos anteriormente.

Depois de acusarem a compra de votos nas últimas eleições, milhares protestantes-eleitores desses partidos se uniram na praça Ala-Too e tomaram o Conselho Supremo e a "Casa Branca" (edifício onde se localiza o presidente). A polícia foi acionada para "resolver" o problema; um dos protestantes morreu e outros 590 foram injuriados. Cedendo a pressão dos protestantes, o Primeiro-Ministro Kubatbek Boronov renunciou ao cargo. No dia 7 de outubro, a oposição estava organizando um novo governo, mas o político do partido direitista alinhado com a Rússia* Sadyr Japarov havia sido "escolhido pela maioria", nas palavras dele, mas não foi reconhecido pela oposição que colocou um político de sua confiança, Tilek Toktogaziyev. Porém a renúncia de Boronov ainda havia de ser reconhecida pelo presidente Jeenbekov. E nesse tempo, 768 pessoas haviam sido feridas de acordo com o Ministro da Saúde. No dia 8 de outubro, o presidente então aceitou a renúncia do PM, e decretou "estado de emergência", sendo o decreto derrubado pela oposição que já começava a preparar um Impeachment. Outros partidos como Respublika, Batun Kirghiz, Mekenchil e Mekenin Kirghiz, direitistas, ainda apoiavam Japarov e nomearam ele como PM interino. Então, para tentar diminuir o caos, o presidente mandou prender novamente o ex-líder do país Almozbek Atambayev.

Com todas essas situações, os poderes exteriores começaram a se manifestar, sendo então que a China, mesmo estando ao lado, não se envolveu no assunto, devido, podemos dizer, O Kirghiz ser território russo, sendo de 1850 até 1991 parte sua. Ainda estando dentro de sua esfera de influencia, tendo diversos, se não quase todos, os partidos pró ou alinhados com o governo e estado russo. Tento então Putin ter dito no imperativo que "o processo democrático no Kirghiz será restaurado". No dia 13 de outubro, o presidente Jeenbekov recusou ter Japarov como PM, e mais uma vez tentou decretar estado de emergência no país, dessa vez sendo aceito. Mas não diminuindo os protestos, que cada vez ficavam piores e com mais feridos de todos os lados, no dia 15 de outubro, dois dias antes d'eu publicar isto, o presidente Sooronbay Jeenbekov do СДРК, da Internacional, renunciou ao cargo. Seu último pedido foi para que "Japarov, aliados e outros políticos e partidos retirem suas forças da capital". O presidente diz ter sido alvo de um golpe de estado e que pediria para "fortes líderes" ajudarem ele.

Esse é o terceiro país na esfera de influencia russa a sofrer algum tipo de instabilidade. Primeiramente foi Bielorrússia com os protestos contra Lukashenko, depois foi a guerra em Artsakh entre Armênia e Azerbaijão, e agora, crise política no Kirghiz. Seria isso alguma influencia política estrangeira, i.e. Estados Unidos, para desestabilizar a Rússia em sua grande esfera que abrange todos os países da antiga União Soviética? Somente o tempo dirá, com mais evidências para que possamos ver qual o próximo alvo e assim talvez tentar adivinhar o qual vem depois.

*Não necessariamente pró-Rússia, assim como os outros, que fazem uma política parecida com a de Alekdandr Lukashenko, "presidente" da Bielorrússia desde 1994, que fez um tratado com a Rússia em 1996 onde os dois países são vistos como uma grande "União".

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Os Principais Ramos dos Califados Muçulmanos.


  Bem antes de Muhammad (ou Maomé) havia uma longa tradição de nomes, o filho sempre tinha que ser uma forma de identificar o nome do pai e/ou até o avô, Muhammad por exemplo, Muhammad Ibn Abdullah Hashimid, vemos aí o "Ibn", isto seria algo como "filho de", no caso do Bin Laden, temos Osama Bin Mohammad Bin Awad Bin Laden... sendo esse o nome completo dele, traduzido por "Osama filho de Mohammad filho de Awad filho de Laden"... "Bin" é o equivalente a Ibn nos países Paquistão, Afeganistão e outros lugares com diversas variações. Mas não fica sempre adicionando um Ibn, quando se tem um membro notável na família, quem descende dele, começa desde o início, com o nome do pai.
  Voltando para Muhammad, teriamos "Muhammad filho de Abdullah Hashimid", mas o que é Hashimid? Sobrenome? Seria algo parecido, já que Muhammad era parte da "nobreza" de onde morava, e pertência ao Clan Hashimid, ou Clan do Hashim, avô de Muhammad. 
  Assim como Muhammad, haviam parentes seus também nobres, como Abbas, um "tio" dele, Abbas depois das conquistas militares de Muhammad, ganhou seu próprio Clan, os Abbasid, que governariam durante muitos anos o "Califado Sunita". Também haviam os de Ummaya, um primo, que teve o Clan Umayyid, que levou o Califado Sunita para sua maior extensão, chegando na Ibéria... onde foram exilados depois de um golpe por parte dos Abbasid.
  Porém como eu disse, Califado Sunita, também havia o Xiita, governado pelos descendestes de Fatimah, filha de Muhammad, que não aceitou junto com Ali, marido dela, a sucessão do Califado depois da morte de Muhammad em 632. O clan Fatimid veio e governou o Egito durante muitos anos...
  Mas também tivemos o Clan Hashimid depois da morte de Muhammad, que continuou governado as cidades de Mekkah e Medinah durante muitos anos depois da morte de Muhammad, sendo expulsos pelos Turcos bem depois.
  Hoje em dia temos duas principais pessoas que reivindicam ser descendentes de Muhammad, eles são Ali Khamenei e o Sultão da Jordânia. Tendo o título Sayyid, "senhor", antes do nome, indicando isso.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Em 1530, D. João III mandou para o Brasil uma expedição com o objetivo de expulsar os franceses que ali esvaram e também para achar um caminho para o Império Inca através do Rio da Prata. Comandada por Martim Afonso de Souza, a expedição conseguiu expulsar os franceses por alguns meses, antes que voltassem para se vingar. Mas nunca chegou nos Incas, devido aos diversos imprevistos envolvendo tempestades, rochas e correntezas. Com isso, Martim Afonso o que sobrou de sua tripulação, foram para São Vicente, lugar bem conhecido para a época, e lá foi fundada a primeira vila, junto com São Paulo de Piratininga, que foi queimada por espanhóis que tinham também sido expulsos por estarem em território português. Somente 20 anos mais tarde que jesuítas iram refundar a vila de Piratinga, encontrando os portugueses que haviam se espalhado pela região depois do acontecimento anos atrás. "Já haviam se tornado completante em selvagens".  Nessa imagem é retratado a fundação da vila de São Vicente, e nela vemos Martim Afonso, tripulação, os Tupiniquim (entre eles, aliados dos portugueses, como Tibiriçá) e também o Bacharel de Cananeia, português que estava no Brasil desde 1498, e quem depois destruiu as vilas de Piratininga e São Vicente em 1534, com auxilio espanhol  e Carijó. O motivo era que Martim Afonso havia mandado em 1532 uma expedição por terra para o Peru, e essa expedição nunca voltou, foi atacada. Quando a notícia chegou em 1533 aos ouvidos de Pero de Góis (encarregado de São Vicente e Piratininga quando Martim Afonso tinha voltado para Portugal) ele foi fazer o que havia sido ordenado, matar quem fez isso. E quem foi que atacou? Os carijós, e não sozinhos. Mas aí, já é outra história.